Em entrevista ao Morning Show, jornalista analisa ascensão da direita e afirma que o presidente ‘colabora muito com as críticas’

Em entrevista ao programa Morning Show nesta sexta-feira, 13, Boris Casoy lembrou como surgiu o seu bordão “Isso é uma vergonha!”, que atravessa há décadas o jornalismo brasileiro. “Eu estava começando na televisão em um telejornal do SBT. Era um momento em que, como mídia, começamos a exercer um pouco de abertura dentro da ditadura militar. Naquele momento, transmitíamos uma reportagem sobre a miserabilidade de um pronto-socorro em Recife, uma Recife já abandonada. Ao vivo, assistindo a matéria, fiquei indignado. A indignação tem uma relação direta com o ‘Isso é uma vergonha!’. Ali, lembrei de uma pequena emissora norte-americana que, quando o presidente John Kennedy foi assassinado, interrompeu a programação e colocou no ar um letreiro escrito ‘vergonha’. Quando a reportagem sobre o pronto-socorro acabou e a câmera abriu para mim, eu repeti três vezes: ‘Isso é uma vergonha!’. Foi um impulso”. O jornalista contou que, em um primeiro momento, foi repreendido pelo bordão. “Quando saí do ar e deixei o estúdio, um diretor do SBT veio ao meu encontro e disse: ‘Boris, em televisão não se faz isso. Com essa frase você invadiu a casa dos telespectadores e os agrediu’. Mas, enquanto ele falava, os telefones da redação explodiam. Muitos telespectadores ligaram dizendo: ‘esse era um grito que estava preso na minha garganta’. O ‘Isso é uma vergonha!” não transmite nenhuma visão moral, mas manifesta a angústia e indignação da população perante à injustiça administrativa e governamental. Por isso ele persiste há muitos anos e, acredito, que não deve acabar nunca”, afirmou.


Fonte: Jovem Pan